segunda-feira, 12 de maio de 2008

Aquecedor ou termostato? Qual comprar? E pq?


Mesmo num país tropical como o Brasil qdo nos aproximamos do inverno a temperatura média fica bem abaixo da margem de conforto para muitos peixes de aquário, notoriamente os de origem amazônica. E é também nesta época do ano que existe uma espécie de romaria às lojas em busca de algo que costuma dar um nó na cabeça de muitos de nós.


Apresento-lhes o causador do nó: o tal aquecedor de aquário. Mas pq algo tão simples pode causar tantas dúvidas? Afinal não é só ligar na tomada e esperar a água esquentar? Claro....mas qtas vezes alguém parou para pensar em como essa coisa funciona?


Na verdade não é apenas "um" equipamento, e sim dois!!!! O famoso dois em um, onde num único equipamento estão reunidas as funcionalidades de cada um.


Nos primórdios dos tempos existiam muitos aquecedores elétricos com várias potências, e eram dimensionados de acordo com o volume em litros do aquário. O problema era sempre o seguinte: como manter a temperatura SEMPRE numa mesma faixa? Não foram raros os acidentes com água quente demais ou água que nunca esquentava. Para resolver a questão muitos fabricantes incorporaram o termostato, que nada mais é do que uma espécie de IA (inteligência artificial) onde de acordo com a regulagem era ele que mantinha o sistema ligado ou não.


Explicando um termostato:


- A função do termostato é impedir que a temperatura de determinado sistema varie além (ou aquém) de certos limites preestabelecidos. Um mecanismo desse tipo é composto, fundamentalmente, por dois elementos: um indica a variação térmica sofrida pelo sistema e é chamado elemento sensor; o outro controla essa variação e corrige os desvios de temperatura, mantendo-a dentro do intervalo desejado. Termostatos controlam a temperatura dos refrigeradores, ferros elétricos, ar condicionado e muitos outros equipamentos.


Exemplo de elemento sensor são as tiras bimetálicas, constituídas por metais diferentes, rigidamente ligados e de diferentes coeficientes de expansão térmica Assim, quando um bimetal é submetido a uma variação de temperatura, será forçado a curvar-se, pois os metais não se dilatam igualmente. Esse encurvamento pode ser usado para estabelecer ou interromper um circuito elétrico, que põe em movimento o sistema de correção.


Vou excluir os outros tantos sistemas existentes simplesmente pq os termostatos de tiras bimetálicas são a base de pelo menos 95% de todos os fabricantes que conheço. Os outros 5% são de sensores eletrônicos e circuitos integrados. Caros demais, embora dêem um toque high-tech muito interessante.


Ok. Tudo explicado. Agora é só ir até uma loja levando este texto impresso e esperar que o lojista compreenda e possa indicar-lhe o equipamento ideal para vc.....rs. Acredite - comprar um equipamento desses é definitivamente super-complicado tamanha a variedade de sistemas, modelos, potências, funcionalidades, e sobretudo preço. O equipamento ideal para seu aquário deverá possuir equivalência entre potência em watts e capacidade total em litros do seu aquário. Um exemplo: seu aquário tem 130 litros dos quais somente 90 litros são efetivamente água. Mesmo assim fica a sugestão de optar por um modelo de potência próxima de 130 watts. Lembre-se: troncos, substrato, enfeites, etc. Tudo precisa ser aquecido.


Made in Italy, Made in Germany, Made in USA, Made in China, Made in Taiwan. Estes exemplos de procedência foram ao longos dos anos sinônimos de bons equipamentos e também de preços meio-lá-em-cima-por-causa-do-maldito-dólar. Os tempos mudaram e pelas características de livre comércio baseado na lei da oferta e procura tudo ajustou-se de forma que os preços não estão exorbitantes como outrora.


Então munido deste texto vá até a loja de sua preferência e peça: quero um aquecedor com termostato incorporado.

domingo, 20 de abril de 2008

Abaixo-assinado dos aquariófilos

To: Min. do Meio Anbiente/CONAMA/IBAMA/Min. da Agricultura

Abaixo Assinado dos Aquariófilos.

Neste momento devemos nos unir em prol do aquarismo, precisamos do seu apoio.
Novas regulamentações sobre a nossa atividade serão discutidas e referendadas em uma consulta pública nos dias 16, 17 e 18 de outubro de 2007 na cidade de Tamandaré em Pernambuco.
Nós não fomos convidados na sua totalidade e com a antecedência necessária a esta audiência.
Senão nos fizermos presentes não poderemos contribuir para a melhoria da nossa atividade e poderemos ser cerceados ainda mais.
Pedimos que todos os interessados pela nossa causa leiam este manifesto e assinem, desta forma poderemos demonstrar a nossa importância e preocupação.

MANIFESTO

Nós, cidadãos em pleno uso e gozo dos direitos civis e políticos, praticantes da aquariofilia em alguma de suas ramificações, vimos mui respeitosamente expressar, nos termos do artigo 5°, inciso 34, alínea “a”; artigo 6°; “caput” do artigo 225; todos da Constituição da República Federativa do Brasil:

a) Considerando que a aquariofilia é uma arte milenar, cuja finalidade não pode ser outra além de proporcionar o bem estar da pessoa através de sua prática dentro dos padrões do respeito, zelo e amor pelos seres da natureza;

b) Considerando ser a aquariofilia, para os seus praticantes, verdadeira terapia e lazer, sendo esse garantido pelo aludido artigo 6° da Constituição da República, pela redação dada através da Emenda Constitucional n° 26, de 14 de fevereiro de 2000;

c) Considerando que em virtude de a prática da aquariofilia ser discreta pelos seus praticantes algumas ponderações distorcidas são nutridas sobre sua real maneira de ser praticada;

d) Considerando a necessidade da divulgação das corretas formas de se praticar a aquariofilia, impedindo que por erro e ignorância pessoas venham a praticá-la em desacordo com os bons ditames da consciência ambiental preservacionista;

e) Considerando a grande quantidade de empregos diretos e indiretos gerados no entorno da prática da aquariofilia, sendo que qualquer norma que venha a causar algum desequilíbrio nessa prática tem potencial de causar abalos com nefastas conseqüências sociais;

f) Considerando a iminência de normatização por parte do CONAMA, através da Proposta de Resolução advinda da 36ª Reunião da Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos;

g) Considerando que o artigo 3° da respeitável Proposta de Resolução mencionada fere o Princípio do Mínimo Ético, pois há patente inversão axiológica ao se pretender lançar uma lista de espécimes que “poderão” ser criadas, ao invés de pretender lançar lista de espécimes que “NÃO poderão” ser criadas;

h) Considerando a necessidade de correta adequação do mencionado artigo 3° da aludida Proposta de Resolução à boa técnica legislativa, onde o correto seria confeccionar uma lista das espécies que NÃO podem ser criadas; conforme sói ocorrer em demais normas do país, “verbi gratia” a Lei 6.368/76, (conhecida como “Lei de Tóxicos”), a qual subordina a proibição ou controle de uso e manipulação substâncias às portarias do Ministério da Saúde, elencando tais portarias listas das substâncias que NÃO podem ser usadas ou manipuladas;

i) Considerando que, embora o parágrafo único do artigo 4° da respeitável Proposta de Resolução já descrita determine que: “As atividades de aquariofilia serão objeto de resolução específica do CONAMA” (SIC), por não haver ainda tal resolução específica haja a possibilidade por parte dos órgãos responsáveis pela fiscalização de eventuais autuações com base em analogia aos demais postulados da Resolução (caso aprovada e entre em vigor);

j) Considerando a necessidade de confecção da resolução específica para as atividades de aquariofilia, conforme o mencionado parágrafo único do artigo 4° da Proposta de Resolução, sendo tal necessidade de caráter emergencial, uma vez que a eventual entrada em vigor da respeitável Proposta de Resolução tornará a atividade da aquariofilia marginal e carente de legislação que a regulamente;

k) Considerando que os aquariófilos possuem conhecimentos e experiência para apoio na criação de normatização sobre a atividade de aquariofilia, havendo inclusive Organização Não Governamental específica para essa prática, bem como empresários no setor detentores de amplos conhecimentos sobre a viabilidade de criação de animais e plantas aptas à prática da aquariofilia;

l) Considerando a atual morosidade, falta de recursos e burocracia cartorial, que nos impinge os escritórios das agencias públicas que regulam nosso ramo de atividade, e também órgãos fiscalizadores que não atuam de maneira equânime em todo o território brasileiro.

m) Considerando o uso e aplicação de leis desenvolvidas para regular a prática de aqüicultura extensiva e/ou de corte inadequada para nossa atividade bem como inapropriada para balizar atos de fiscalização no comércio de aquariofilia.

n) Considerando a atividade de coleta, apanha e captura visando o mercado de aquarismo de peixes, plantas e outros organismos aquáticos uma atividade de pesca profissional. E que gera o maior valor agregado ao produto (pescado), em comparação com as outras atividades pesqueiras e/ou de explotação.

o) Considerando a atividade de coleta, apanha e captura visando o mercado de aquarismo de peixes, plantas e outros organismos aquáticos uma atividade de pesca profissional perfeitamente adaptada aos padrões de extrativismo sustentável desde que preservadas por regulamentação específica as espécies que fogem a esta regra.


p) Considerando a atividade de criação para o mercado de aquarismo de peixes, plantas e outros organismos aquáticos uma prática comercial que gera o maior valor agregado por quilo de biomassa produzido do mercado de aqüicultura.

q) Considerando a falta de uma política de fomento, e a falta de convênios que evitem excessos burocráticos e sobreposições entre as diversas áreas governamentais e leis reguladoras da nossa atividade.

r) Finalmente, considerando que uma norma estranguladora ou de interpretação dúbia fomente clandestinidade, ação de indivíduos cúpidos, bem como a má manipulação e coleta de animais indiscriminadamente do meio ambiente para atender desejos egoísticos e não preocupados com as boas técnicas preservacionistas, dentro dos padrões de sustentabilidade;

O SEGUINTE

MANIFESTO

1°) Queremos trabalhar em conjunto com as autoridades, sendo os primeiros a divulgar, coibir e denunciar práticas abusivas contra o meio ambiente, bem como não olvidar esforços para extirpar eventuais métodos que tragam degradação e imponham riscos à prática da aquariofilia de forma sustentável.

2°) Solicitamos uma maior participação junto aos órgãos públicos responsáveis pelas questões ambientais quando versar sobre assuntos atinentes à aquariofilia em quaisquer de suas ramificações; inclusive através de Organizações Não Governamentais já existentes nesse sentido.

3°) Que eventuais consultas públicas sejam feitas em locais de maior concentração e ampla possibilidade de deslocamento, como as cidades de São Paulo ou Rio de Janeiro; impondo, destarte, maior transparência e lisura em virtude de evitar interpretações no sentido de intenções para dificultar a participação de pessoas interessadas.

4°) Que eventuais normatizações sejam direcionadas para a correta prática da aquariofilia, punindo-se aqueles que degradam indiscriminadamente o meio ambiente, sem impor ônus aos aquariófilos que por ele são ciosos.

5°) Que seja feita a oitiva de profissionais do ramo da aquariofilia quando do lançamento de normatizações atinentes a essa prática, com a devida antecedência.

6°) Ao se confeccionar listas com proibições de manutenção ou comercialização de espécimes que essas atentem para aquelas que NÃO PODEM ser mantidas ou comercializadas, evitando assim, a inversão de valores; bem como a recorrência de clandestinidade e informalidade no trato, manutenção e comercialização de espécimes que poderiam perfeitamente ser aplicadas à aquariofilia.

7°) Se as listas lançadas não forem sobre as espécies que NÃO PODEM ser aplicadas à aquariofilia, estaremos diante do latente absurdo de ficarmos fazendo constantes atualizações em listas e infindáveis tramitações burocráticas; sem contar a esdrúxula não observância do Princípio do Mínimo Ético que deve nortear as boas técnicas normativas.

8°) Que seja observado, amiúde, eventuais impactos que normatizações possam trazer para a economia, emprego e manutenção de diversas famílias que trabalham no ramo da aquariofilia, buscando evitar comoções e prejuízos para a área social.

9°) Empreender esforços, junto aos aquariófilos, profissionais da área e autoridades, para a criação de “bancos” de coleta e redistribuição para outros aquariófilos de eventuais espécimes que se tornem indesejáveis ou, por qualquer razão, impossibilitados de continuar sendo mantido por aquele indivíduo, evitando-se assim a introdução arriscada de espécimes na natureza.

10°) Que os esforços sejam coligidos por aquariófilos, profissionais da área e autoridades com o condão da correta prática da aquariofilia, buscando-se evitar os maus tratos aos animais e plantas.

11°) Que seja desenvolvida em convenio com toda cadeia produtiva e de regulamentação, uma cartilha contendo os preceitos necessários da ética, da educação ambiental e da responsabilidade social necessários a nossa atividade, informando aos que fazem parte e aos que querem pertencer ao nosso ramo de atividade.

É mister difundir a consciência de que o aquariófilo deve ser um indivíduo amante da natureza e que por ela nutre indelével respeito. Ninguém monta um aquário para impingir sofrimento e dor aos seus habitantes, pois a grande beleza está em mantê-los saudáveis e com qualidade de vida.


quinta-feira, 17 de abril de 2008

Aquários plantados ou aquários com plantas?

Afinal, existe diferença ou é apenas um joguinho de palavras? Vamos analisar as coisas como elas são?

Para muitas pessoas ter plantas em aquários significa colocar plantas, ou seja, compre um tufo qualquer de "mato" e enterre-as nas pedrinhas. O que acontece na sequência? As plantas fica balançando ao sabor do movimento da água pelo tempo em que possuem reserva de vida para depois irem amarelando e perdendo as folhas, para finalmente "melarem" e morrerem. Como são baratas(na feira é claro...rs)é só esperar a próxima feira e comprar de novo....simples né...rsrs.

Um passo adiante nos levam aos que tentam mantê-las com até certo cuidado, mas sem o conhecimento necessário para que realizem seu processo alimentar básico que é a fotosíntese.

Gosto da idéia de dividir esta temática em três grandes grupos: aquários holandês ou "optimum aquarium", jardim japonês ou "nature aquarium" e finalmente os generalistas que mesclam elementos dos dois estilos.


- Aquário holandês ou "optimum aquarium":

Chegou ao Brasil ainda em meados da década de 80 e obteve de imediato grande aceitação por parte da nata aquariofilistíca da época. Neste conceito as plantas são agrupadas de tal forma que formem um jardim(pesquisem sobre os jardins do palácio de Versailles)com elementos e cores cuidadosamente arranjados dando a impressão de assimetria e/ou simetria.
Na época mesmo com grande aceitação não nos era possível manter algumas plantas mais exigente pela simples razão de desconhecermos o que era "substrato fértil", iluminação correta, demanda de gás carbônico e relação GH/KH/pH ideal. Resultado? Muitos perceberam que não era mole ter plantas como nas fotos de especialistas europeus.


- Jardim japonês ou "nature aquarium":

Após a grande onda paisagística de 1980 e seu naufrágio, tudo ficou em estado de semi-dormência até meados de 1995 qdo com o advento da internet chega ao Brasil as primeiras fotos de impressioantes jardins submersos feitos no Japão por um tal de Takashi Amano.

O estilo era completamente diferente do europeu, pois ao contrário deste, valoriza-se a semelhança com a natureza pela arranjo mais ordenado e natural. Termos como "proporção de ouro", "dos terços", "triângulo", etc, foram sendo gradativamente aprendidos e difundidos.

Também junto com este estilo chegaram muitas informações sobre substrato fértil, iluminação ideal, novas espécies de plantas, equipamentos.

- Aquários plantados generalistas:

Sem sombras de dúvida este "estilo" é de longe o que agrupa o maior número de aficcionados simplesmente pela liberdade de não ter estilo algum. Embora não seja exatamente um estilo, a maioria dos praticantes obtêm impressionantes resultados estéticos. É a soma de muita pesquisa e informação com facilidade de acesso aos insumos necessários para a manutenção de uma grande variedade de plantas.

Claro que se vc chegou até aqui e não dormiu é pq de alguma forma gosta do asunto! E também percebeu que o nível de informações é escasso. Explico: não sou um Rony Suzuki, muito menos um Alex kawasaki ou André Longarço - logo não posso sugerir algo que não domino, né.

Simples assim!

Este texto é apenas uma "encheção de linguiça"...rsrs.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Estrangeirismos escalafobéticos. Hein.....??????


Durante muitos anos da minha vida tenho frequentado "as rodinhas de conversa" entre amigos, papo vai papo vem, e hoje com o advento da internet tudo se torna um pouco mais distante, porém mais rápido. O primeiro aquarista brasileiro que se tem notícia foi D. Pedro, e já naqueles tempos os nossos peixes eram um "show"!

Estamos em 2008 (sec XXI), e boiando por um desses fóruns que se multiplicam pela net eis que me deparo com o seguinte termo na língua anglo-saxônica: "HELP FILTER". Seria este "help filter" um "filtro auxiliar"? O que leva tantas pessoas a adotarem um linguajar tão pitoresco qto bisonho? "Ciclar" lembra "ciclo", qdo na verdade mais belo seria "maturar". Imagino-me chegado numa loja e ao ser atendido pelo balconista eu tenha que enrolar a língua(Quase dando um nó) e soltar um "I am looking for a external filter for my tropical fish aquarium"!!! OHHHH My GooooD!!!
Believe it or not - estamos caminhando a largos passos para que isto se torne real, pois em minhas remotas lembranças Astronotus ocellatus era "apaiari"(Belíssimo nome tupi-guarani). Um peixe totalmente extinto da nossa fauna aquática tupiniquim - restando-nos apenas "OSCAR".
Chiquérrimo será ter "ANGEL FISH" e pedir sashimi de "BRAZILIAN BLACK BASS"(Para quem não sabe, o tucunaré). UIA!!!!

Bom - pelo menos o orkut pode ser utilizado em português! rs.

E vejo uma escalada interessante na ostensividade com que alguns indivíduos se utilizam do inglês para se espressarem, em detrimento do prórpio idoma. Será canal por assinatura demais? Incontáveis horas batucando em teclados? Ou tudo não passa de uma "teoria da conspiração"? Estaria Elvis vivo? O peixe que sumiu na verdade foi abduzido? Não sei! Só sei que "eritrostigma" é "glowlight" e "megalopterus é phantom".

Tenhu medo de que um dia eu não consiga mais comprar e/ou vender peixes; a não ser que seja da divisa do Rio Grande pra cima.

Help! I need a translator! Now!!!!!

Entendendo o rótulo


Qdo compramos uma ração de uso animal veremos na embalagem uma tabela com coisas estranhas e valores esquisitos, que na maioria das vezes não sabemos para que serve. Acontece com a ração que damos aos nossos moradores aquáticos. Para uma pessoa leiga em nutrição é impossível saber o que é "extrato etéreo", "máx" e "mín", etc.
Para um melhor entendimento do que está escrito no rótulo colocarei aqui em breves palavras o que significa cada uma daquelas "coisas" e o pq dela estar lá.

1 - Proteína bruta : Como o nome diz é a quantidade de proteínas totais na formulação, mas não necessariamente aquilo que o peixe vai absorver. As proteínas são constituidas pelos compostos nitrogenados do alimento e servem para a formação dos tecidos ou a reconstrução destes. Na ração de peixes são utilizados elementos macro de valor biológico elevado como farinha de carne, farinha de peixe, farelo de soja tostado, dentre outros mais nobres.

2 - Extrato etéreo : São mais conhecidos como as "gorduras" de uma ração. Têm a mesma função dos carboidratos, ou seja fornecer energia para todas as atividades metabólicas dos organismos que a consomem. Também são veiculos para o transporte de várias vitaminas para dentro das células. Estão presentes em vários componentes tais como: milho, farinhas de peixe, carne, farelos. Sempre estarão associados a algum anti-oxidante pela facilidade de deterioração.

3 - Matéria fibrosa : Constitui um elemento importante para alguns gêneros de peixes como os ciclídeos africanos(Pseudotropheus, Julidochromis). Fibra é a parte lenhosa dos vegetais. Qdo um fabricante se utiliza de alguns componentes macro já conhece de antemão o teor de fibras presente. Estão presentes no milho farelo de soja tostado.

4 - Matéria mineral : De uma forma geral todas as rações já possuem os minerais dentro de sua formulação, sendo necessário apenas um acréscimo de cálcio, fósforo, e cloreto de sódio. Embora presente em pequenas quantidades é de fundamental importânica para o funcionamento de qualquer organismo vivo.

Em teoria é possível formular uma ração com mais de 80% de proteína bruta. Mas como o nome diz é a quantidade total de proteínas, não é aquela que algum organismo consegue metabolizar, ou seja, transformar em matéria nobre(massa muscular). Cada espécie animal e em todas as suas variantes de evolução possui necessidades específicas de nutrição. Ex: alevinos de tucunaré - carnívoro de água doce tropical. Pedem uma ração com um nível mínimo de proteína bruta de 42~45%, proveniente de origem animal(farinha de carne, farinha de peixe). Trocando em míudos - o que vale mesmo é o EQUILÍBRIO/BALANCEAMENTO na formulação, além da utilização de matéria-prima nobre, aliado ao uso de um premix* TOP de linha.

* PREMIX = Complexo vitamínico-mineral responsável pelos micro-nutrientes de uma formulação. É nela que estão acrescidas as vitaminas e oligo-elementos.


COMPOSIÇÃO E MATÉRIA-PRIMA

MILHO - O milho e seus derivados compõem a maior parte de todas as formulações nacionais para peixes. Isto deve-se pela excelente qualidade de nutrientes digestíveis presente neste cereal, que ainda é fonte de caroteno e xantofilas.

SOJA(FARELO TOSTADO) - A melhor fonte de proteína disponível no Brasil pela sua disponibilidade, balanceamento de aminoácidos, facilidade de manuseio. Todos os fabricantes não dispensam seu uso, e entra em até 40% na formulação das rações.

FARINHA DE PEIXE E DERIVADOS - É, certamente a melhor fonte de proteína que se conhece para a formulação de ração para peixes. É rica em vários aminoácidos, vit B12, e a literatura especializada indica a presença de "fatores desconhecidos de crescimento", sobre os quais ainda não existe um domínio completo. Têm em torno de 60%~65% de proteína bruta. É este componente que determina aquele cheiro que sentimos qdo abrimos um pote novinho de ração.

ALGAS MARINHAS - São considerados verdadeiros potencializadores biológicos ao serem inseridos em qualquer formulação destinada a nutrição de peixes. Melhoram vários parâmetros tais como digestibilidade, palatabilidade, etc. Algumas espécies de peixes são particularmente beneficiadas pela ingestão de algas marinhas: ciclídeos e poecilídeos estão dentre os que mais sentem diferença.


Proteína bruta - 35%(Mín)
Extrato etéreo - 6%(Mín)
Matéria fibrosa - 5%(Máx)
Matéria mineral - 10%(Máx)

Numa formulação hipotética como está descrita acima indica que contém um nível mínimo de 35% de PB, Mínimo de 6% de ET, nível máximo de MF de 5%, nível máximo de 10% de MM.

Lembrando que a nutrição de animais é um assunto extremamente complexo, e que na verdade esta postagem servirá para que um leigo tenha um melhor entendimento na hora de comparar as alcons, tetras, seras, poytaras, vitormônio da vida.
Espero ter auxiliado vc naquela hora de escolher qual potinho levar para seus peixinhos!!!